Conceito
O Custo Médio por Internação mede o custo total hospitalar dividido pelo número de internações no período. É o principal indicador de eficiência econômica da operação hospitalar e base para precificação de diárias, pacotes cirúrgicos e negociação de contratos com operadoras de planos de saúde.
Um custo médio alto pode refletir complexidade do case-mix (pacientes mais graves exigem mais recursos), ineficiências operacionais (desperdício de materiais, tempo ocioso de equipe) ou ambos. Por isso, a análise comparativa exige ajuste pelo perfil de complexidade (case-mix index).
O custo é composto por componentes fixos (pessoal, estrutura) e variáveis (materiais médico-hospitalares, medicamentos, exames). Identificar o peso de cada componente é fundamental para ações de redução.
Fórmula
| Variável | Descrição | Unidade |
|---|---|---|
| Custo Total Hospitalar | Soma de todos os custos diretos e indiretos alocados ao centro de internação no período | R$ |
| Número de Internações | Total de pacientes que iniciaram internação no período (pode usar saídas para comparar com ALOS) | internações |
Fontes de dados: Sistema de custos hospitalares, ERP, controladoria. Apropriação por centro de custo (UTI, clínica médica, cirúrgica). Em hospitais SUS: AIH como proxy de custeio.
Como interpretar
Custo elevado pode refletir pacientes de alta complexidade (esperado) ou ineficiências em materiais, tempo de cirurgia, desperdício e pessoal — exige análise de componentes.
Custo baixo deve ser avaliado com atenção: pode indicar excelência em gestão ou pode sinalizar subinvestimento em qualidade e segurança do paciente.
Exemplo prático
Um hospital filantrópico em Recife/PE apurou em julho: Custo Total do setor de clínica médica R$ 1.800.000 com 360 internações.
Custo Médio = R$ 1.800.000 / 360 = R$ 5.000 por internação.
Ao decompor: pessoal (52%), medicamentos (23%), materiais médico-hospitalares (15%), exames (10%). O custo de medicamentos cresceu 8% vs. mês anterior — análise de prescrição revelou uso de antibióticos de amplo espectro em casos que poderiam usar protocolos de menor custo, gerando oportunidade de R$ 120.000/mês de redução com revisão do protocolo de uso racional.
Armadilhas comuns
- ⚠Alocar custos de overhead sem critério de rateio adequado — distorce o custo real por especialidade.
- ⚠Comparar custo médio entre hospitais sem ajuste de case-mix — hospitais de alta complexidade naturalmente terão custo maior.
- ⚠Não separar custo fixo de variável — ações de redução diferem completamente para cada categoria.
- ⚠Confundir custo com preço cobrado ao plano — a diferença é a margem, que deve ser positiva para sustentabilidade.
Contexto brasileiro
No SUS, a AIH (Autorização de Internação Hospitalar) paga por procedimento, criando incentivo ao volume. No setor suplementar, operadoras migram progressivamente para modelos de pagamento por bundle (pacote fechado por episódio), tornando o controle do custo médio por internação crítico para a margem dos prestadores. O CFM e o CBR publicam referenciais de custo por procedimento como referência de mercado.
Como visualizar no Power BI
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